sexta-feira, janeiro 20, 2006

Para esquecer o frio... contar















As crianças desarrumaram os livros, correram, escreveram na parede, brincaram, riram e ouviram histórias... tudo dentro de uma livraria!
Tentei iluminar as sombras invernosas com flores coloridas e contos de todo o mundo.
Fui contar histórias na livraria O Navio de Espelhos em Aveiro que todos os Domingos,às 18h tem sessões de contos para crianças.
Deixo-vos um conto que veio da Índia, lindo!

O Sol, o Vento e a Lua

Há muito, muito tempo, quando o mundo tinha acabado de ser feito, o Sol, o Vento e a Lua foram convidados para jantar com os seus tios o Trovão e o Relâmpago, pois os homens iam fazer uma festa sumptuosa em sua homenagem. A Mãe Estrela ficou em casa pois tinha de iluminar o céu escuro.
O Sol e o Vento eram gulosos e egoístas e quando chegaram à festa divertiram-se, dançaram e comeram todas as iguarias sem se preocuparem em levar um pouco para a sua mãe. Mas a Lua, delicada, não a esqueceu. De cada prato servido no banquete, ela tirava um bocadinho e escondia sob as suas lindas e longas unhas que mais pareciam raios de luz.
Quando regressaram, a Mãe Estrela que tinha ficado toda a noite em vigília pelos filhos, com os seus olhos pequeninos e brilhantes, perguntou:
- Então, meus filhos o que troxeram para mim dessa festa tão maravilhosa?
O Sol, o filho mais velho, disse:
- Não trouxe nada. Saí para me divertir!
O Vento, o filho do meio, disse:
- Eu também não trouxe nada minha mãe, mal tive tempo só para mim...
A Lua, a filha mais nova, disse:
- Mãe, vai buscar um prato e vê o que te trouxe!
Assim que a Mãe Estrela pôs o prato em frente da Lua ela começou a sacudir as mãos e o prato ficou cheio dos mais refinados manjares.
A Mãe Estrela virou-se para o Sol e disse:
- Tu que só pensaste em ti sem pensares na tua mãe, eis o que te vai acontecer: a partir de agora, os teus raios serão sempre ardentes e quemarão tudo o que tocarem. Os homens vão-te detestar e cobrirão as suas cabeças quando apareceres.
Esta é a razão pela qual o Sol é tão quente.
Depois virou-se para o Vento e disse:
- Tu, que só pensaste em ti sem pensares na tua mãe, eis o que te vai acontecer: a partir de agora , vais soprar nas estações mais quentes e secas, vais crestar e secar todas as coisas vivas e os homens vão-te detestar e evitar sempre.
Esta é a razão porque o vento é desagradável mesmo no calor.
Depois virou-se para a Lua e disse:
- Filha, porque tu te lembraste da tua mãe e guardaste para ela uma parte do teu próprio prazer, de hoje em diante terás uma luz suave calma e brilhante e os homens te chamarão sempre a abençoada.
Eis a razão porque a luz da lua é tão suave, amena e bela.