domingo, julho 10, 2005

Faltam 98 anos para comemorarmos o centenário



Dizíamos por aí:

"É tempo de festejar. É tempo de abrir as janelas da casa e sair para a rua ao encontro dos livros. Como diz Margarite Duras: “Com tanto a acontecer lá fora não se pode ficar num quarto”. Venha até esta festa."

E vieram muitas pessoas e muito bonitas.

Umas que levaram Poesia... Como dizia o Alberto Serra citando o Eugénio de Andrade:

"Claro que deve ensinar-se a ler poesia. E quem a ensina pode começar por prevenir que não se comem silabas aos versos, porque são altamente venenosas. Um poema, como Paul Valery escreveu é uma longa hesitação entre som e sentido. Conta e Canta, dizia outro poeta, António Machado. Portanto, a sua leitura deve fazer-se em voz alta, porque todas aquelas palavras aguardam uma voz para tomarem forma e figura. Voz que terá em conta o que é inerente ao próprio poema:tom, ritmo, acenos, pausas e até dissonâncias. Depois, sem a menor
ênfase, como quem fala de amigo, quem lê deve deixar-se levar por essa música, "pura delícia sem caminho"."




Outros deixaram-nos Poesia:


"UM INFINITO AO ESPELHO
CORAL MEMÓRIA CORAL
UMA VOZ QUE FLORESÇA
E NOS TRANSPLANTE
A CAUDA IMORTAL DA MÚSICA
O TRANSE MUTANTE
A LUZ ILUMINADA
O ÍMAN HIMALAIA
O NAVIO DE NEVE
O SOL EM MIOLO
DO-MAR-A-RESPIRAÇÂO" ANTÓNIO POPPE


Foi:

Recital de poesia O Livro dentro dos livros pelo Grupo Poético de Aveiro.
Espectáculo de homenagem ao livro e à leitura baseado em textos de Fernando de LaFlor, Umberto eco, Erri de Luca, Manuel António Pina, Jorge Luís Borges, Almada Negreiros, Whitman, Dietrich Schwnitz, Alberto Manguel e João Pedro Mésseder.

Lançamento do livro "A Lei do desejo" de Ana Cristina Santos, da editora Afrontamento. O livro foi apresentado pela querida Fabíola Cardoso.
Discutiu-se com calor o tema dos Direitos Humanos e Minorias Sexuais em Portugal.
Inventariou-se o passado, inventaram-se futuros.

Recital de poesia A Musa ao Espelho, nos Claustros da Misericórdia.
Com Alberto Serra (voz), Juca Rocha (Piano e Direcção Musical), Ianina Khmélik (Violino), Vanessa Pires (Violoncelo), Fátima Santos (Acordeão).
Partindo da fruição da palavra e repartindo em música e poesia por todos.

Contos e Poesia com António Poppe e António Fontinha, os contos tradicionais ou não e os poemas que a narração faz lembrar. António Fontinha é o nosso mais importante Narrador. António Poppe manipula a palavra como um corpo.



Inauguração da Exposição de Fotografia de Michael Bry



de 9 de Julho a 12 de Agosto

Michael Bry é alemão e radicou-se no Chile, onde seguiu os estudos em História da Arte e Pintura na Universidade de Santiago.
Aí iniciou os seus trabalhos fotográficos. Trabalhou nos Estados Unidos da América, México, Alemanha e Espanha. Actualmente reside em Portugal, onde expõe, depois de o ter feito nos países onde residiu e trabalhou. Já expôs em diversas instituições, de que destacamos o Museu de Arte Moderna de S. Francisco (EUA), a Universidade da Califórnia, Santa Bárbara, (EUA), a Amerika Haus, Munique (Alemanha), ou a Galería del Pasaje, Sevilha, (Espanha).

Hora do Conto Especial

Á semelhança do que fazemos todos os Domingos, contamos histórias para os mais pequenos. Contámos na rua “Os melhores de todos os contos”.
Com Marta Condesso, Cláudia Stattmiller e Sónia Sequeira.



A SEGUIR:

dia 15 de Julho 21:30h Recital Vontade de Abrir Livros (parte I)
leituras de excertos dos livros de Ana Teresa Pereira
“Talvez seja possível amar uma mulher por causa de um livro, de um poea sublinhado, de um filme a preto e branco, de uma casa, do olhar de um homem quando fala dela, da forma como o seu cão a espera. Da reprodução de um Mondrian na parede da sala.”


dia 16 de Julho 21:30h Tertúlia musical
À semelhança do que fazemos com os livros vamos desarrumar os cds.
Espaço de partilha de rumos novos na audição.

dia 29 de Julho 21:30h
Comunidade de Leitores


Na última Sexta-feira de cada mês há lugar para nos encontrarmos com livros aqui na Livraria. Leia os livros O Sr. Brecht e Jerusálem de Gonçalo M.Tavares e venha conversar com ele e connosco sobre a sua prosa.
Vencedor do Prémio Ler/Millenium-BCP com o romance Jerusalém (Círculo de Leitores), recebeu ainda o Prémio Branquinho da Fonseca da Fundação Calouste Gulbenkian e do jornal Expresso, com a obra “O Senhor Valéry” (Ed. Caminho) e o Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, com “Investigações.Novalis”. (Editora Difel). Editou ainda “O Homem ou é Tonto ou é Mulher”, “A Colher de Samuel Beckett”, “A Biblioteca” e “Histórias Falsas”(Campo das Letras );“A Perna Esquerda de Paris” e “1 - Poesia” (Relógio d'Àgua); “Investigações. Novalis”,Difel “Um Homem: Klaus Klump”, “A Máquina de Joseph Walser”, “Jerusálem” como Cadernos Pretos “O Senhor Valéry”, “O Senhor Juarroz”, “O Senhor Henri”, “O Senhor Brecht” como O Bairro na Editorial Caminho
Estão em curso edições e traduções dos seus livros, em países como Brasil, Itália, Índia, Suiça, França.
Está traduzido e representado em antologias de poesia e contos (Holanda, Bélgica, Hungria) e editado em revistas inglesas e americanas.


dia 5 de Agosto 21.30h Recital Vontade de Abrir Livros (parte II)

Leitura de poemas de José Tolentino de Mendonça.
“Os naufrágios são belos
sentimo-nos tão vivos entre as ilhas, acreditas?
e temos saudades desse mar
que derruba primeiro no nosso corpo
tudo o que seremos depois
«Pago-te um café se me contares
o teu amor»


dia 19 de Agosto 21.30h Recital Vontade de Abrir Livros(parte III)

Leitura de poemas de António Franco Alexandre
“e no entanto, visto à distância exacta, tudo se transforma:
o cenário do mundo é só um infinito espaço
cheio de coisa nenhuma, e a luz o puro efeito
de dois deuses menores que marcam o compasso.”


dia 26 de Agosto 21:30h
Comunidade de Leitores


Mais um pretexto para nos encontrarmos entre livros. Este mês nesta tertúlia O Mal de Paulo José Miranda, Edições Cotovia.
Paulo José Miranda nasceu em 1965 na Aldeia de Paio Pires. Licenciado em Filosofia, publicou o seu primeiro livro em 1997, A voz que nos trai (poesia) com o qual ganhou o Prémio de poesia Teixeira de Pascoaes. No ano seguinte publicou O corpo de Helena (teatro), A arma do rosto (poesia) e Um prego no coração, primeira novela de um tríptico sobre o processo de criação, em que cada livro se dedica a uma personalidade das artes. Neste primeiro caso, a Cesário Verde; em Natureza Morta (1999, Prémio José Saramago) a João Domingos Bontempo; e, em Vício (2001), a Antero de Quental.
Já em 2002, Paulo José Miranda regressa à poesia com O Tabaco de Deus.
O Mal é o quarto livro de ficção de Paulo José Miranda. Tendo já, noutras obras, abordado a vida e a obra de Cesário Verde, João Domingos Bontempo ou Antero de Quental, Paulo José Miranda debruça-se agora sobre a poesia e a vida de Camilo Pessanha, tendo para isso obtido, da Fundação Oriente, uma bolsa de criação literária em Macau (pouco depois da transição).
Um professor de português em Macau prepara uma dissertação sobre Pessanha encontrando, à medida que o lê, paralelos consigo próprio e com a sua vida lá. Aos poucos, por meio das palavras do próprio Pessanha, vamos acompanhando as reflexões e a vivência deste professor, narrador estrangeirado que vagueia também pela língua portuguesa e pelo seu país como um emigrante amargurado.
A esquizofrenia começa pela manhã, ao tomarmos café num restaurante português com empregados filipinos, antes da aula de literatura portuguesa que costumo dar aos alunos chineses oriundos de Xangai. Por mais que se viva não nos habituamos a escutar pedidos como one meia torrada and one expresso, please. Por vezes, one rissol and one expresso with pingo. Lá fora, a humidade é de 95% e os macaenses movimentam-se devagar, apesar do frio relativo. As montras dos supermercados estão forradas a vinho português, conhaque francês e whisky sabe-se lá de onde. Com a chegada do sol tudo fica pior do que já era. Ao almoço, os restaurantes portugueses ficam repletos de portugueses que comem uma comida pior do que a dos snacks de Lisboa, com a desvantagem de terem mais tempo para apreciar o desconforto, que felizmente já não se sente. Já não se sente o desconforto de se ser português. No estado actual do meu espírito, tanto se me dá como se me deu, diria Pessanha.


de 12 de Agosto a 1 de Setembro
Exposição de ilustração “A minha tribo” de Paula Rebelo