terça-feira, março 22, 2005

Carta Aberta a Paulo Jorge Cravo

Carta Aberta a Paulo Jorge Cravo
(resposta a comentário deixado no post anterior)

Exmo. Sr.

Queixa-se o senhor, e com razão, de alguns factos ocorridos pelas 17h15 do dia 19 de Março de 2005. Diz o senhor ter sido mal atendido por um miúdo que se encontrava atrás do balcão, miúdo esse que deu mais atenção à internet que a si, miúdo esse que não lhe retorquiu o “boa tarde”, miúdo esse que não só lhe fez um embrulho que se auto-descolou ao fim de alguns segundos e teve ainda o desplante de não apagar o preço do livro, miúdo esse que sou eu.

Começo por pedir-lhe sinceras desculpas. Se foi inicialmente cliente d’O Navio de Espelhos terá certamente sido atendido por mim diversas vezes e creio que nenhum motivo de queixa me poderá apontar.

Quanto ao comportamento desastrado do dia que refere, algumas atenuantes existem mas não existem em número suficiente para fazer com a minha vergonha o que eu não fiz com o preço. Uma das atenuantes será, por exemplo o facto de que à hora que o atendi me encontrar àquele balcão ininterruptamente desde as dez horas da manhã. Mas não vou aqui deixar uma ladainha de lamentos. Espero que acredite na honestidade das minhas desculpas e que me permita em breve melhorar a imagem com que ficou de mim.

Bem sei que a um livreiro, tal como a um cirurgião não se permitem dias maus. Mas eu tenho os meus.

Quanto à questão do pedido de socorro que lhe chegou e que fez circular, deixe-me dizer-lhe que não é nem da minha autoria nem da de ninguém que pertença ao núcleo interno da livraria. Se algum dia julgarmos necessário produzir uma mensagem daquele teor iremos publicá-la nos meios adequados, assiná-la por baixo e nunca nos ouvirá tecer queixas da cidade que habitámos e na qual fizemos questão de abrir esta livraria.

Dois comentários finais que se prendem com o meu direito à indignação mesmo quando a razão está do seu lado. O termo “miúdo” usado de forma pejorativa era de todo dispensável. Garanto-lhe que os anos de vida que levo me deram formação profissional e humana mais que suficiente para estar atrás do balcão de uma livraria. O outro comentário foi “salvem-se a vocês mesmos”. Mesmo descontando o engano de julgar de nossa autoria o e-mail que recebeu e fez circular, deixe-me dizer-lhe que se estiver minimamente atento ao funcionamento da livraria, quer na parte comercial, quer na parte da oferta de actividades nem o modo infeliz como que o atendi lhe permite, por um momento que seja, duvidar do muito trabalho que eu e os meus colegas desenvolvemos.

Reitero o meu pedido de desculpas.

Atenciosamente,
Jorge Pedro Ferreira

P.S.: A homepage da livraria está em www.onaviodeespelhos.com, ai encontrará não só as nossas actividades como também os contactos necessários para chegar até nós. Deixo-he ainda o meu e-mail pessoal, jorge@onaviodeespelhos.com.