domingo, janeiro 02, 2005

Como abraçaria um a um os que guardam em casa estes livros




"E lá estava o Hermínio. Como estava sempre, em todo o lado: numa calçada de Copacabana a cantar a plenos pulmões o 25 de Abril, numa esplanada em Paris contando histórias de Trás-os-Montes, no Pico do Areeiro, na Madeira, enchendo o peito de ar. Enorme. A abraçar a gente.

Como abraçaria, um por um, os que guardam em casa e em si a poesia da Assírio: Rimbaud, Rilke, Blake, Whitman, Baudelaire e Cummings, Pascoaes, Pessoa, Luiza Neto Jorge e Al Berto. E as antologias, e os ensaios, e a ficção, e a fotografia,e."

Excerto de
"O Amor Todo" - Texto de Alexandra L. Coelho, na morte do poeta-editor, in Público 4/06/2001