quinta-feira, dezembro 23, 2004

sete corações mais fundo



Paul Celan

Elogio da distância

Na fonte dos teus olhos
vivem os fios dos pescadores do lago da loucura.
Na fonte dos teus olhos
o mar cumpre a sua promessa.

Aqui,coração
que andou entre os homens,arranco
do corpo as vestes e o brilho de uma jura:

Mais negro no negro,estou mais nu.
Só quando sou falso sou fiel.
Sou tu quando sou eu.

Na fonte dos teus olhos
ando à deriva sonhando o rapto.

Um fio apanhou um fio:
separamo-nos enlaçados.

Na fonte dos teus olhos
um enforcado estragula o braço.



DO AZUL,que ainda busca o seu olho,bebo eu em primeiro lugar.
Da marca do teu pé bebo eu e vejo:
rolas-me entre os dedos,pérola,e cresces!
Cresces como todos os que foram esquecidos.
Rolas:o granizo preto da melancolia
cai num lenço,todo branco de dizer adeus.


(tradução de João Barrento e y.k.Centeno)